sábado, 22 de outubro de 2011

Questionamentos.


Como a Filosofia ensina que o importante não é responder, mas questionar, vamos a algumas “questões”, apenas questões:

1. O Estado justifica salários estratoféricos, por exemplo, pros meninos da Receita Federal ganhando 20 mil (isso o escrito) dizendo que se não pagar “bem”, o funcionário público “se corrompe”. Mas então o Estado admite que aprova bandidos e que eles só não praticam crimes em razão de um salário [absurdamente] alto como esse?

2. Por esta mesma lógica, o delegado de polícia civil de SP ganhando 5000 reais de salário, pode delinquir, porque neste caso o Estado aceita que ele seja corrupto, já que para este funcionário o salário é de apenas 5 e não 20? (não se venha com a balela de que um é federal e outro é estadual, essa razão cartesiana, detalhista e nazista é imprestável quando se discute princípios).

3. Por esta lógica ainda, o jovem funcionário da Receita que ganha 20 é, para o Estado, muito mais “valioso” do que, por exemplo, um médico cirurgião ou neurocirurgião que, aprovado num concurso, ganha um décimo disso, 2 mil reais? Não se precisa discutir a “diferença” abissal entre um neurocirurgião ou cirurgião cardiovascular e funcionários da Receita, ou se precisa? (não se venha com a balela 2 de que o funcionário lida com dinheiro e, de novo, pode ser corrompido – então ele é “corrompível”, dotado de corrompibilidade?, ou seja, um bandido em potencial? – e gera receita para o Estado por meio de suas “fiscalizações” e atividade, de novo esses argumentos discriminatórios e separatistas são velhacos).

4. O grande problema do país qual é, educação, certo? Porque então o funcionário da Receita (fiquemos nele, tudo bem que no Senado Federal o salário sai em escandalosos quatro contracheques, conforme confessou aquele célebre funcionário concursado à Veja – não se sabe se ele ainda vive) ganha 30 vezes o que ganha um professor de 1º grau? Será que o funcionário da Receita é 30 vezes mais importante do que um professor alfabetizador? Qualquer senadorzinho da República (esses que custam 85 mil reais por dia ao Estado) foi alfabetizado. Por que então essa discriminação odiosa para com os professores de 1º grau?

Depois vem mais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mulheres reclamando de homens.

Publicado no jornal O DIA SP em 20.out.2011*
[Relações amorosas. Igualdade de direitos. Machismo. Evolução social. Príncipe encantado]
                 Barbara e Débora são professoras em algum lugar do país. Esta semana me perguntaram: por que homens somem? Inicialmente, a pergunta genérica causa dúvida. Somem como? Aí elas explicaram. Imagine, de verdade, um homem bonito que procura uma mulher bonita, ambos inteligentes, tudo fazendo sentido para uma “interação” amorosa saudável. O homem insiste, aparece em lugares inesperados, causa surpresa agradável e aí, num certo momento, some.
                 Inúmeras causas, graves, sutis, loucas ou secretas podem estar presentes aí. Não há resposta exata. Um ponto a se considerar, inicialmente, é resultante da própria sociedade, com sua “história motorizada”, na expressão de Theodor Adorno. A maior revolução social havida, na década de 1960, a pílula anticoncepcional, representou a 1ª onda de igualdade entre a mulher e o homem. Ali também se desafiava o mundo sob vários modos: firmou-se a invenção da juventude iniciada em 1950 com James Dean; inaugurou-se o cânone do sexo livre; Woodstock; revolução estudantil; os hippies, tudo fez parir uma nova era nas relações em todo o Ocidente. Aquela história densa se viu raptada pela poesia para fins espetacularmente libidinosos.
                 Cada um desses fatores contribuiu decisivamente para novas visões, novas percepções e até novos sentimentos. Sim, novos sentimentos foram inventados. O amor se tornou plúrimo e complexivo, o mundo ficou grávido de expectativas que vieram sendo vividas aos poucos, como uma criança que cresce. Aí veio a década perdida, 1980 e chegou-se ao mecanicismo da globalização; telefonia celular; e a notícia e a informação passaram a ser vividas em tempo real. Sabe-se que um carro bomba explodiu há 8 minutos no Iraque matando 2 pessoas. Essa hiper noticização da vida já gera alguma náusea social.
                Inicia-se uma 2ª onda, estima-se a mulher já “estabilizada” em suas conquistas oriundas da grande revolução sessentista e é “inventado” o consumismo. Este que pode ser traduzido por “pressa”, nada mais que isso, com efeitos devastadores nas relações pessoais, inclusive nos sonhos amorosos (Ronaldo e Cicarelli se casam em lindo castelo; por 90 dias). O amor, o romantismo, a delicadeza, o carinho, a meiguice e o lindo sonhar junto com olhar apaixonado passam a ser brega, cafona ou próprios de um lirismo que exigia tempo. E a moda urbanoide agora não era mais se perder tempo. O tempo-em-si deixa de ser dinheiro, lema velho, passa a ser obsolescência. A moça com 30 anos de idade não é mais titia, já caiu na vida da balada, desesperançada. O horror vence, junto com ele a desilusão. É a crise requentada.
                 O homem que sempre teve uma cultura machista e vivia a normal estabilidade do consumo apressado, inclusive consumo da mulher, passou a vê-la refém de um desejo igualitário, querendo consumir. Mas uma “cultura” não se sedimenta em meia dúzia de anos ou uma década, é um caldo que precisa engrossar a fogo brando.
                 Dizer que a mulher passou a viver um porre de liberdade pode ter algum sentido, mas quem fica tonto uma vez costuma aprender que se beber demais ficará tonto de novo. O fato é que com os “novos” direitos da mulher o homem passou, por seu turno, a exercer mais profundamente um viés machista e consumista. A jovem jornalista pergunta a Zygmunt Bauman como ele conseguia ser casado há 7 décadas com a mesma mulher, e ouve do sociólogo que a geração dela sequer saberá o que é esta riqueza.
                 Numa 3ª onda, o consumo das relações humanas, principalmente no Brasil onde a ética foi posta de lado, simplesmente explodiu. A TV perde o pudor em exibir nádegas e peitos femininos como catalisadores de uma audiência social fálica. As mulheres-objetos passam a ter orgulho em se intitular uma alcatra humana, surgindo mulheres-frutas, mulheres-legumes, mulheres-verduras, mulheres-proteínas e todo tipo de mulher-alimentação possível, desde que possuidoras de visíveis, muito visíveis nádegas; já que o seio é ponível.
                 Tem-se aí uma verdadeira esquizofrenia social pelo consumo carnal das pessoas, jogando-se no lixo vetores tão essenciais para a felicidade e a segurança nas relações. Flagram-se ministros de Estado em escândalos mensais com garotas e garotos “contratados”; religiosos enrolados com crianças a ponto de o próprio Papa ter que se manifestar. Há um sentido de desespero pelo consumo das relações que traça um desenho baixo e intelectualmente pobre da sociedade. Na arte, dá-se a perda da qualidade poética e romântica com a entrada de uma cênica estética totalmente formalista e, novamente, ligada ao corpo e ao sexo.
                 Uma das diferenças graves entre homem e mulher é que o homem continuou a consumir, mas a mulher não parou de sonhar. Aqui a disjunção do consumo. Em seu íntimo neoconsumista a mulher ainda se encanta com flores; uma frase delicada num guardanapo de bar; olhos aguados de emoção de quem lhe confessa emocionado com sua beleza que só ele vê assim; e outras coisas. O sonho é feminino e se o homem sonha, aqueles que sonham, certamente é seu lado feminino se mexendo, fazendo “estragos” sentimentais, lindos e próprios de quem sonha.
                 Ser bobo de amor e dar, de olhos fechados, à mulher o que o próprio coração pede que dê, não é para muitos, só para os fortes. A história vagarosa e perfumada do romantismo mostra isso. Os homens emotivos, apaixonados, entregues, carinhosos e sonhadores ficam cada vez mais raros e quando aparecem, parece que são disputados à tapa. O lado mãe de toda mulher interfere no seu “jeito” de amar. Ela cuida do namorado de 18 anos, tendo apenas 17, sem saber que aquele cuidar é o seu mistério feminino.
                 Por que homens somem? Há muitas respostas, até aquela velha que homem que some de mulher “sei não...”. Talvez caiba à mulher viver lições e sabedorias, para manejar futuras relações e usar seus mistérios encantadores. Isso pode ser “dar o que o coração quer dar”, mesmo que um homem possa sumir. Se ele sumiu porque é um imbecil, pode ser ganho e não perda. A mesma sabedoria também pode fazê-la não parar de sonhar, eternamente. Ela pode viver o sonho para ela, aí pode estar a felicidade. Vale a vida sonhada, numa delicada e amorosa busca por um homem que um dia sonhe junto com ela. O príncipe encantado existe e só as mulheres sabem dessa verdade, ainda que nas baladas algumas apenas “digam” que não. Mas os seus íntimos sabem que ele existe. Jean Menezes de Aguiar.


http://www.jornalodiasp.com.br/edicoes/edicaoatual/index.html?pageNumber=4

Não importa o que eu escrevo, mas o que eu calo.

Com o filósofo romeno Cioran, na obra Silogismos da amargura, aprendemos que o que importa num escritor não é o que ele escreveu, mas o que ele calou. Assim, românticos podem multiplicar minhas eventuais doçuras à melosidade e críticos podem acidular minhas eventuais farpas ao ódio e desprezo profundos. O mesmo Cioran ensina que para que aprofundemo-nos, basta ir-se-nos às próprias taras, assim, cada um tem essa potencialidade subjetiva em si. Mas repare-se que quem fizer a doçura ou a acidez com um texto meu, fá-lo-á por sua conta e risco, ainda que passe a merecer mais admiração e interesse do meu coração. Afetuosamente, Jean Menezes de Aguiar.

Petição inicial - ação judicial contra "Rafinha" Bastos Hocsman

Petição inicial do advogado Manuel Afonso Ferreira contra "Rafinha" Bastos Hocsman
http://s.conjur.com.br/dl/marcus-buaiz-rafael-bastos-hocsman-acao.pdf


Carta aberta do sogro de Wanessa Camargo, sobre "Rafinha" Bastos http://www.sidrolandianews.com.br/0,0,00,1353-41515-SOGRO+DE+WANESSA+CHAMA+RAFINHA+BASTOS+DE+CRETINO.htm


Rafinha Bastos "Hocsman" (este é o sobrenome dele) parece que murchou, não é?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia do professor.

[Reflexõezinhas.]

O que é um professor? Cada um que faça o seu desenho e o seu conceito, eu faço o meu, na boa. Professor é um cientista, um intelectual, um estudioso por uma vida inteira, necessariamente um metodólogo e um pensador. Tergiversa nas áreas de estudo, açambarcando história, sociologia, antropologia, ciência política, filosofia, direito, economia, artes, observação, matemáticas, biologia, metodologia científica, amor e saberes do mundo outros quaisquer que possam lhe confirmar questionamentos, transtornos e dificuldades pessoais com o conhecimento. Professor não é, jamais, o enganador que vai fazer um cursinho qualquer de mestrado por aí e fica puto porque “tem que ler” tantos livros. O meu professor não “lê”, estuda e rabisca livros, consome-os, devora-os. Estudar para este professor que desenho é um prazer, um tesão e uma felicidade, um pretexto para “matar trabalho”. Professor é um sujeito que trabalha profissionalmente com o conhecimento e com a trans-formação, “vende” conhecimento e deve ser um excelente profissional aí, precisamente aí, deve ter todo um comprometimento com a atitude de conhecer visando a transformar o aluno, melhorá-lo como pessoa, gente, agente do amor e da vida.
Conhecimento não é forma, é conteúdo, assim eventuais brilhos ligados ao formalismo de tratamento serão rechaçados, porque não próprios do conteúdo. Nenhum demérito há em ser o professor tratado por “você”, por exemplo, ao contrário, deveria ser esse o tratamento obrigatório porque um nivelador pedagógico do interesse do professor em se pôr no mesmo nível no aluno visando a puxá-lo para cima. Há total diferença entre o professor (educador) e os que “dão aulas”. Poucos minutos de conversa e essa diferença se mostra berrante na personalidade e na formação do agente. Se a formação universitária está de mal a pior, é lógico que a formação de “professores” acompanha e isso é totalmente claro. O sujeito piadista, simpático, que é “parceiro” no chope ou na azaração das alunas está muito longe de ser um professor. O professor desperta interesse e respeito dos alunos estudiosos, quietos, seguros e zelosos com a própria formação, principalmente estes. Quanto mais raro, quieto, estudioso, dedicado, concentrado e vitorioso como aluno for o aluno a gostar daquele professor, com certeza melhor será esse professor. Não interessa se uma turma inteira de baderneiros que dependa da cola na prova para viver não se “interessa” muito por esse professor, basta um sério e compenetrado aluno, sério estudante a ver e avaliar o quanto o professor sabe, para se ter a certeza de quão bom é esse professor.
Professores verdadeiramente sérios e estudiosos, proprietários de bibliotecas diversificadas e concentradas ao mesmo tempo, compradas ao longo de uma vida, até no lugar de carros e moradia, são cada vez mais raros. Professores que se dedicam com afinco ao conhecimento, a sério a diversas áreas que possam se interpenetrar de alguma maneira para aumentar a visão de mundo e melhorar a eficiência enquanto profissional do conhecimento, se tornam cada vez mais raros. E a conversa com esses raros intelectuais vai de delícia a um gozo extremo, dada a diversidade, a criatividade, a liberdade pensante, a leveza das críticas, a poesia do sarcasmo, a beleza do reconhecimento do outro, a suavidade da paciência e à imensa sabedoria que transborda sem querer, sem precisar fazer força, sem alarde, anúncio ou autopromoção. Basta um desses raros professores abrir a boca ou escrever algo que sua genialidade flui, apenas flui. Tive alguns raros professores assim na minha formação e ficava pasmado em imaginar como uma pessoa podia saber tanto. Imagino que minha visão do professor possa ser muito severa, ortodoxa e fechada. Mas para mim o professor deve ser alguém absoluto e definitivo em termos de conhecimento, ainda que muito do universo do saber ele, obviamente, não detenha, e tenha a segurança de dizer “não sei”, ainda que por seu imenso conhecimento, essa frase que ele diria firmemente, em sua boca seja efetivamente rara. Desejo sucesso a todos os jovens professores que buscam isso, exemplarmente isso: ciência, poesia, intelectualidade, romantismo, doçura, sabedoria e seriedade. Não se consegue isso rapidamente, eu continuo buscando, incansavelmente. Salvador Dali dizia que não precisamos ter medo de buscar a perfeição, porque não vamos alcançar mesmo. Essa busca se nos é um dever. Eu não parei, e cada um que continue ao seu jeito. Beijo geral pros professores. Jean Menezes de Aguiar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Dalmo de Abreu Dallari, um monumento vivo.

PÉROLA ATEMPORAL

Ensinamentos do professor Dalmo de Abreu Dallari

Em 1995, o professor e grande advogado Dalmo de Abreu Dallari, deu uma espetacular entrevista de página inteira a Jorgemar Felix, no Jornal do Brasil. Então com 63 anos de idade e 40 de profissão, dono de um inigualável poder de dizer coisas indefensáveis, Dallari é, juntamente com Fabio Konder Comparato e outros poucos por aí, um dos exemplos máximos de sabedoria no Direito. Um verdadeiro modelo que deveria ser ouvido e estudado por jovens e velhos, para que fosse criado juízo crítico latente na área jurídica, em contraposição à pasteurização pensante que domina a esmagadora maioria dos operadores do Direito.

 “O Judiciário é muito caro. É preciso ter um advogado, pagar custas, produzir provas, perícia para ter acesso ao Judiciário. A justiça é vendida, nunca é dada.”

 “A cúpula é a culpada, pois gosta de receber pequenos agrados e, em troca, não briga pela modernização do serviço.”

 “Quem não tiver dinheiro para comprar a justiça, não a tem. E o sistema estabelece que quem tem mais dinheiro tem mais justiça.” 

 “Quando alguém faz uma crítica a um tribunal, imediatamente o tribunal diz que estão criticando o Judiciário. É muito parecido com o que tem acontecido no Brasil em relação às Forças Armadas. Quando se diz que o Supremo agiu errado, alegam que é uma crítica ao Judiciário, e aí os juízes reagem corporativamente. Isso está acontecendo hoje na questão do controle do Judiciário.” “Esse controle atingiria especialmente as cúpulas judiciárias, que hoje estão completamente sem controle. No Tribunal de Justiça existe um corregedor, que é um desembargador. Esse corregedor jamais abrirá um inquérito contra outro desembargador.” 

 "O defeito não é só dos juízes, é do sistema jurídico, das faculdades, que se preocupam muito mais em ensinar processo do que ensinar Direito."

“Na verdade, é preciso que haja um cuidado maior na escolha dos ministros. O presidente indica e o Senado faz uma sabatina pública e depois decide. O que se tem verificado é que o Senado nesse caso tem sido absolutamente omisso.”

“Em muitos outros casos não se verifica se realmente o candidato proposto pelo presidente preenche os requisitos de vida ilibada e notável saber jurídico. Isso vem conduzindo a escolhas muito ruins. O povo não tem nenhuma informação sobre o processo de escolha e aí eu incluo as pessoas da área jurídica. Os advogados vezes muitas são surpreendidos com a indicação para o Supremo de alguém em quem nunca se ouviu falar. O Ilmar Galvão é um caso e o primo do Collor, Marco Aurélio Mello, é outro. O Supremo virou cabide de emprego de luxo.”

 “O Antônio Carlos Amorim, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Rio, teve uma série de comportamentos totalmente incompatíveis com a posição de presidente de tribunal. Ele foi assistir à Copa do Mundo a convite da CBF, levando família, e depois de verificar que o presidente da CBF tinha processos na Justiça.” 

 “O Judiciário ainda realiza muita sessão secreta, coisa que não deveria acontecer.”

 “Aqui em São Paulo esse viaduto que se chamou Tribunal de Justiça é ridículo. Esse viaduto fica a sete quilômetros do tribunal, não tem nada a ver. Então por que chamá-lo de Tribunal de Justiça? Exatamente para anestesiar. E o Judiciário se sente homenageado, fica feliz. Só que enquanto isso acontece, ele não tem verbas para se informatizar e fica acomodado.”

sábado, 15 de outubro de 2011

O padrão Dilma enfurecendo o universo feminino.

 


[Mulher. Poder feminino. A Neomulher. As 5 reações da mulher. Relações extraconjugais. Moda. Homens usados]


Impõe-se uma nova sociologia (será?). O Brasil nunca teve uma presidente da República. A visão do povo em geral com o mandatário máximo foi sempre ligada a um homem. Mulheres criaram seu feudo de poder [feminino] com estratificações internas e próprias de poder: ricas, ou famosas, ou lindíssimas, ou algumas no Poder formal, ou algumas mais raras reunindo isso tudo numa mulher só. Este poder é um poder-para-si, na medida em que tanto o exercício como a auferição circulariza-se, num auto-consumo e endogenia exclusivamente entre as mulheres. E assim todas se acostumaram com essas medidas [parciais] de poder. Nunca houve uma absolutivização máxima, perdoe-se o pleonasmo, no poder feminino. O gênero mulher nunca foi odiado ou endeusado como uma ditadora, uma torturadora, uma chefe ou comandante de órgão repressor da ditadura (uma quadrilheira?).


Nunca se teve mesmo no Poder [máximo] uma Sarney, uma ACM, sempre foram os homens. A mulher sempre esteve ofuscada pelo homem em termos disso que aqui se chama poder máximo. Claro que há se relativizar esse conceito, mas nunca houve uma expoente nessa magnitude. Por outro lado, sempre a maternalidade ínsita atrapalhou a possibilidade de poder absoluto de uma mulher; no Brasil pelo menos foi assim. Na Inglaterra dá-se o fenômeno Margaret Hilda Tatcher, soberana, desafiando teorias sobre o papel do Estado e a ira de intelectuais de todo o mundo com um então Estado tatcheriano. Há alguns anos, no Brasil, algumas mulheres ameaçaram essa potestade originária geral feminina elegendo-se governadoras de Estados, mas a coisa desmilinguiu-se completamente como expressão de poder e jamais ameaçou os diversos gêneros de poder feminino que conseguiram se manter. No Rio, por exemplo, aquela crente fundamentalista que parece que saiu do mato adotou o nome de “Garotinho”, uma declaração aventureira e machistamente panfletarizada do braço forte.


Não havia comparação exógena entre o chamado poder feminino pré-Dilma, nunca houve. Até Dilma o poder feminino, este analisado ou este possível, sempre foi um poder-para-si. A surpresa começa com a indicação de Dilma para concorrer à presidência; depois ela vencendo o câncer. Aí ela derrota uma força-tarefa da direita hipopotomizada, mondronga, só composta de homens – todos poderosos com seus marqueteiros profissionais –, o que torna a vitória de Dilma analiticamente mais interessante. Aí, a revista Forbes a coloca como a 3ª mulher mais poderosa do mundo. O universo feminino opositor a Dilma deve estar sem sair de casa, em cólicas.


Dilma vai subverter os conceitos de poder feminino pela extração suave [política] dos cânones que sempre foram próprios da mulher e inserir um outro conceito inacessível, comparatístico, mas que somente ela enquanto mulher obteve: a presidência da República. Dilma tem homens, muitos homens, milhares, e em comando seu. Exército, Marinha e Aeronáutica com seus estrelados generais, brigadeiros e almirantes que impuseram respeito nos próprios lares, agora são comandados por uma mulher. Não se precisa entrar na vala comum da guerrilha que teve em Dilma um ponto fundamental. O universo feminino rechaça esse dado, dá de ombros para ele.


O que incomoda, nessa psicanálise feminina, é Dilma ter milhares de homens a seu comando e todo um governo e um país, ainda com polícias, aviões, sirenes e projeção agora mundial ao lado de pessoas mundialmente poderosas e surpreendentemente na frente de muitas outras que não se supunha poder Dilma ultrapassar, afinal Dilma é “nossa” e nós não ultrapassamos o primeiro mundo. Como Dilma sendo nossa pôde ultrapassar? Não queremos Dilma um superproduto da nossa parição, mas um subproduto das nossas gentes, da nossa própria antropologia. O que é-nos igual será o que se mostra inferior ou no máximo no mesmo nível que nós, nunca acima. Quando Dilma se mostra acima, a cultural rivalidade doméstica do país estranha, rechaça, tenta deslegitimar. Sendo presidente, pior, afinal, historicamente odiamos nossos presidentes, aprendemos desde criança a considerar nossos presidentes boçais, idiotas, ridículos e maquiavélicos. Além de ladrões, é claro. Como o primeiro mundo agora pode pôr no colo uma presidente nossa? Já tinha feito com Lula, mas foi por outras razões.


Dilma imporá reações sociológicas as mais díspares no universo feminino. A primeira será a maior junção dos casais. O poder (oniricamente máximo) refrata-se com o amor, isso explicará a escolha pelo amor como ponto de antagonização a Dilma. Mulheres amarão mais e irão mais em direção aos maridos e companheiros, numa súplica à manutenção do status quo outorgador de poder, sem que isso represente qualquer viés machista. Este fator será um ganho social interessante para a sociedade. A segunda reação será um efeito colateral dessa situação de mais amor, que será, pelo desatendimento habitual de certos maridos e companheiros a não poucas mulheres, um maior número de traição, considerada em sua ortodoxia, nas relações familiares. Mulheres terão mais amantes extraconjugais, afinal o poder delas precisará ser ratificado num poder-em-si e a cama será uma válvula de escape que liberará a mulher da ortodoxia do próprio poder originário que não dará mais conta de manifestar-se como poder. A 3ª reação será a exacerbação da feminilidade, pois ela se antagoniza com o Poder formal (máximo).


Domenico de Masi, em sua obra O ócio criativo, já ensina que a mulher só poderá se sentar na poltrona de quem decide se adotar para si os valores masculinos e tiver dado, sobretudo, ampla demonstração de ser capaz de assumi-los. Só se demonstrar que não é movida pela estética, ética, moderação e emotividade, valores contrastantes com o ideal taylorista do bom executivo, mas que são válidos e úteis para que se seja criativo. Portanto a mulher reemerge no mercado de trabalho e adquire o direito à cidadania só hoje, na nova sociedade pós-industrial, de tipo andrógino.  E num tipo de profissão ligado à moda ou ao jornalismo. De Masi é preciso em sua crítica.


Daí, não seria esdrúxula a estimativa duma saída ou redução da mulher no mercado de trabalho, porquanto o mercado em nada poderá ser competitivo com o padrão Dilma de poder; o mercado em relação à mulher perde a potência completamente, quando confrontado com o poder máximo de Dilma. A 4ª reação que se conjuga com a primeira e a segunda é a qualidade da amorosidade da mulher que deverá subir de nível. Dilma forçará a mulher a ser amorosa, mais carinhosa e detalhista com seu homem, pela antagonização visível que a amorosidade guarda para com o poder, a mulher passará a ser mais exigente e não abrirá mão do gozo num finalmente empate prazer-a-prazer com o homem. Por fim, uma 5ª reação é prevista, a da hipertrofia da maternidade, também em termos qualitativos. Voltando-se a mulher para o lar, ganharão os filhos com esse padrão disputal imposto mediatamente por Dilma. A mulher se verá mais dócil e carinhosa, novamente abstraindo-se qualquer ranço machista ao contexto da docilidade.


Essas reações podem ser julgadas para um lado ou para outro. Num deles, como efeitos benéficos de uma mulher que, percebendo a incompetitividade com o padrão Dilma, recluse-se em sua ambiência típica de um pós-Guerra-anos-50 para ser a mulher, a dona de casa e a mãe, novamente e sempre sem qualquer conotação imputacionalmente machista. Noutro, e aí se veriam reações ácidas das feministas, haveria uma regressão com o padrão Dilma, porque esta mulher retornaria ao lar, às prendas domésticas, abandonando conquistas efetivadas a duras penas.


Aqui o padrão Dilma seria pernicioso, forçando uma neomulher à originação de uma mulher que se quis ou quer apagar, destruir a qualquer preço e que só interessaria aos machistas (como o homem se babaquizou ao extremo, por exemplo incorporando uma vaidade viral, estima-se que esse neohomem-oco não faça qualquer movimento pelo retorno da mulher antiga). Mas mesmo aqui as feministas se aquietam sabendo que uma das reações a esta neomulher será uma maior liberalização do amor ou em relação ao parceiro doméstico, se ele o suportar, ou numa busca extralar, o que se torna teoricamente interessante. De qualquer sorte o homem também será afetado por esse padrão Dilma, porque no quesito amor deverá ser obrigado a dispensar mais atenção à companheira, inclusive no trato e minudências sexuais. Será a invasão do mundo corporativo no sexo doméstico em que a “avaliação” se imporá e o macho terá que atender a novos anseios gozosos e clitoriais extremos, tudo para não ceder a mulher aos amantes que, sabendo da nova sociologia, estarão limpos, lavados, perfumados e eretos à porta dos lares, prontos para atender às patroas enfurecidas com os companheiros que não aceitaram aumentar o poder da própria mulher, em compensação para com o padrão Dilma.


Há uma subjacência a tudo isso, é a análise da tal regressão fêmea. A rigor não há a regressão. O ódio interfeminilizado padronizado; a costumeira inveja intermulheres; a raiva disputal mantida como padrão antropológico uterino à qual ao elogio de uma mulher a outra esconde um despeito feminino último, estão fazendo com que a mulher “que se acha” e se vê poderosa, principalmente as em padrão objetivo de análise (têm efetivamente poder), precisassem se reinventar ante o padrão Dilma. Assim, jornalistas famosas e midiáticas, intelectuais, pensadoras da TV, socialites, cantoras e outras que se acostumaram ao poder absoluto da fama, ou dos papais e da herança previsível, assistiram com uma leniência invencível o seu poder ser amarrotado como papel, ganhar forma de bola e virar lixo, quando o padrão Dilma efetivamente escarrou nos velhos e carcomidos modelos de poder feminino. Daí tantas reações uterinas, figadais e psicanalíticas. E aqui há a imperceptibilidade do ato reativo. Vencem-nas as reações não conscientes e quanto mais berrarem contrariamente ao neomenu de reações teorizadas, mais estará exposta a fratura ao padrão Dilma. Há a imanência do reconhecimento de Dilma, não por mérito próprio ou pessoal, que seja, mas pela injunção política que a fabricou como está, efetivamente tronada. Reconhecer isso é uma invencibilidade, não um mérito, uma ideologia ou um gosto.


Sobre o poder, em si, do padrão Dilma, ele prescinde silenciosamente dos jargões da moda como óculos máscaras, relógios fakes de ouro ou Rolex-Galeria-Pajé e “bijus”; ou ouro mesmo e platina que sejam, calças enfiadas em botas, chapinhas em cabelos-com-problema e o cafonismo mor, as bem populares e comunzinhas bolsas Louis Vuitton. Dilma reencarnará, mas ultrapassando descomensuravelmente, uma alma do gênero Zélia Cardoso de Melo, só que muito melhor, com o refinamento da simplicidade e da objetividade, com uma vestimenta ligada ao conforto e não ao chiquismo, e jamais seduzível por um bolero afrancesado Bessame mucho com um comedor de plantão para clivar-se em múltiplos pedaços inconsertáveis e cair. O poder de Dilma também é heterônomo, inclusive agora sequer doméstico, porque vem de pautas internacionalizadas que, por isso, incomodam muito mais. Não é uma ideologia esquerdista saudosista [e boba] que a vê como forte, mas contexturas econômico-sociais que a catapultam ao lado de uma Hilary Clinton, diga-se de passagem, esta previsível, comum para padrões ianques e sensivelmente menor que Dilma.


Figurinistas e propaladores de “tendências” de moda também deverão rever valores. Enquanto que Lula se entregou feito grávido a Ricardo Almeida para fazer-lhe ternos e a ex-primeira “dama” de Lula, a híbrida e botoxizada Marilza (nada contra...) se entregou aos costureiros, Dilma, já se percebeu, age no anonimato, não reverberando a espuma da fama própria da presidência, um dado oficial e pertencente ao povo, não a ela própria. Assim, esgota-se a era comparatística das ministras, deputadas, senadoras, governadoras e outras menores por aí em operar a bajulação modal. A pré-solteirice de Dilma também se lhe é uma marca interessante. Detentores masculinos do poder formal não podem se dirigir ao segundo andar do Shopping Iguatemi, na Faria Lima, SP, para encomendar a Ricardo Almeida um modelito igual ao de Lula. Essa bajulação provinciana que rendeu no governo anterior, fica órfã no atual. Desnuda-se a política de uma vestimenta física assinada.


Algumas das ondas sociológicas previstas pela padrão Dilma não serão acessíveis ao universo feminino analisado (nem ao masculino comum). Repare-se! O universo feminino analisado é o “preocupado” com o tônus modal da vestimenta, da aparência, do poder, da singularidade e da nunca similitude com a próxima, ou seja, praticamente todas as mulheres do planeta [brasileiro!; mulheres europeias veem-se completamente diferentes, a começar pelo padrão cultural – holandesas, norueguesas, dinamarquesas e suecas, por exemplo, com seus maravilhosos lápis enfiados em tuchos de cabelos louros-branco a provocar o universo masculino na totalidade – reagem inteiramente diferente a um padrão Dilma, primeiro com adesão da curiosidade filosófica – elas têm isso! por isso o fazer sexo delas é tão vital –, depois com uma análise objetiva e diplomadora, o que se lhes garante a honestidade e a grandiosidade de uma grande mulher). Mas por aqui o mulherio ligado à requentada novela da Globo, a esta coisa da “Fazenda” (mas que diabo é isso?) e ao poder-para-si, há-se de forma completamente diversa.



Assim, essa faixa que se [auto]predestina a ser estigmatizada por um litro de angustura mental que qualifica o modo de ser ligado à aparência, à visualidade, acaba não imantando uma análise menos exteriorizada.


Por fim, as mulheres do poder formal, só essas são assim, que nos escorcham com impostos, tributos, cobranças oficiais e todo tipo de opressão, muitas vezes capitulando, sem exercer o imenso poder do útero em dar uma porrada na mesa oficial e dizer basta. Aí a vingança de todos é a mais visível (até a minha, se eu pudesse). Elas se viram humilhadas pela eleição de Dilma, rebaixadas à condição de ocupantes de um “cargo qualquer”, como se refere Voltaire no Dicionário, verbete “orgulho”. Estas absorveriam a ira do pensador fugido da França pela psicanálise de plantão que tiveram que passar a usar como defesa da própria existência na Terra. A vitória de uma Dilma que se situava do outro lado da linha aniquila todas as do lado de cá, reduz-las a pó, sejam governadoras, prefeitas, senadoras, deputadas ou outras porcarias por aí, menores, infinitamente menores. Novos matizes legitimantes de um poder emergencial precisaram ser buscados. Não na família ou no amor, mas no seio da sociedade. Vereadoras abriram guerras internas, Governadoras passaram os meses iniciais sem saber o que fazer com a própria gestão. Marta Suplicy é um caso a parte. Conseguiu manter alguma soberania com seu passado Jardins e sua bestice schmitianna, ou a possibilidade perpétua de mandar um jornalista relaxar e gozar, ou tomar no cu mesmo, esse o seu melhor que ela esconde, fingindo uma finura estética, mas autorizando a visão de uma loba na cama para o argentino comedor de plantão.


Por fim 2, pouca influência teve Dilma junto aos homens. O machismo boçal sulamericano e potencializado por um padrão semianalfabeto brasileiro manteve uma estanqueidade própria para ela, e os homens sabiam que ela necessitaria deles para governar. Essa visão do sem-mim-você-não-consegue (gozar consegue, sempre conseguiu!) piorou o machismo brasileiro. O mesmo homem que foi cobrado na doçura-pudim-de-leite-condensado do lar pela “patroa” de um sexo compensatório, absolutório do marasmo pretérito e efetivamente gostoso e animal feito amante, jactou-se mais ainda de seu gênero superior a la Nietzsche, mantendo visão da mulher em quadro mais inferiorizado ainda. Aqui, uma vez analisada a junção macho-fêmea, o padrão Dilma pode ter feito o maior efeito colateral de todos. Homens inteligentes correrão para atender em tudo a mulher, do mimo ao carro novo, do encantamento à presença, desnudados de qualquer superioridade. Com esses novos tempos o risco da perda da companheiro se torna mais visível, não pela fragilização da relação, mas pela perda do controle feminino ante a novel potestade inaugurada com Dilma que solapará a um só tempo os padrões velhacos identificadores do poder.


A beleza, a riqueza e outros se manterão incólumes, mas existirá, irreversivelmente, de agora para sempre, o fantasma do poder máximo. O poder se desloca de uma pessoalidade para uma überpessoalidade inatingível a todas. Mulheres continuarão a buzinar nervosamente no trânsito gay de São Paulo em suas UVs, como continuarão a não dar a vez para ninguém e furando filas, ameaçando pedestres com o poder de massa de seus veículos e com aquele baixo padrão ético próprio do comportamento feminino, até aí nenhuma novidade, mas haverá um novo pano de fundo a ser lidado nos divãs dos psicanalistas, o padrão Dilma, que roubará o sono de muitas “poderosas”. Enquanto isso mulheres políticas ver-se-ão desesperadas porque a previsão será de não eleição feminina por longas e futuras décadas. Uma nova Dilma nunca mais estará nos planos das eleitoras, pelo menos enquanto estas da conteporaneidade e do poder humilhado viverem.


O poder, em si, é dúctil, se compraz com movimentos sociais e antropológicos, ele não se perde dele em si, ele é um núcleo indestrutível [auto]entregue a quem “roubá-lo” dele próprio, ou seja, há uma putização no conceito do poder. Se Dilma fizer, no cômputo final, um mau governo, será pior ainda para as mulheres, o que se lhes impõe uma aporia aflitiva: se ela se sair bem, mais reduzido será os poderes menores; se ela se sair mal, a conta será atribuída à uterinidade e todas pagarão uma segunda conta, uma que não estava prevista. A situação das mulheres se torna extremamente preocupante e delicada. Deveriam elas reagir contra o risco que correm, enquanto o padrão Dilma não se cura (seca) totalmente. Uma vez estabilizado estima-se que muitas mulheres deixem o país, num autoexílio feminino jamais visto enquanto onda sociológica brasileira (só rindo...), o que pode igualar numericamente o quantum de homens e mulheres no ranking da pegação sexo-existencial. A crise é aguda e cada homem que se preocupe dobradamente com sua mulher. Perdida esta, dificilmente conseguirá outra no mesmo padrão, pois as que virão sê-lo-ão marcadas pela vingança do poder e o traço tônico dessa neossexualidade feminina será ginástico, fazendo dos homens meros meninos de programas pedintes dos gozos e delícias da mulher que, todavia, jamais será a mulher amada, mas a mulher usada (no sentido de que apenas elas usem).


O quadro é de todo preocupante. A teorização da solidão masculina ante o padrão Dilma que se vê aí é-se-me por demais angustiante. E que Deus proteja as mulheres da "malvada, perversa e odiada" Dilma, a verdadeiramente poderosa.  Jean Menezes de Aguiar